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25/05/2011

Operação Condor: Tribunal nega recurso ao sequestrador do DOPS

Por L&PM Editores

O Tribunal de Justiça do RS confirmou hoje, por unanimidade, a decisão da juíza Cláudia Maria Hardt que, em 6 de julho de 2010, julgou improcedente a ação do sequestrador do DOPS, João Augusto da Rosa, codinome “Irno”, contra o jornalista Luiz Cláudio Cunha, autor do livro Operação Condor: o sequestro dos uruguaios (L&PM Editores, 2008). Na ocasião, o sequestrador pedia indenização por danos morais devido à menção no livro de sua participação no sequestro de Lilian Celiberti e Universindo Diaz. Este episódio, que ficou conhecido como o “sequestro dos uruguaios”, aconteceu em Porto Alegre, em 1978, fruto de uma ação conjunta dos órgãos de repressão uruguaios e brasileiros. O Tribunal de Justiça do RS não apenas recusou o recurso dos advogados do sequestrador por unanimidade, como fez constar na sentença voto de louvor à decisão da juíza Cláudia Maria Hardt.

A seguir, alguns trechos do que jornalistas de todo o Brasil publicaram em seus blogs:

(clique sobre a fonte para ler os textos na íntegra)

“...Então chefe da sucursal da Veja no Rio Grande do Sul, Luiz Cláudio foi testemunha involuntária do sequestro, praticado em novembro de 1978, numa ação combinada de forças militares do Exército uruguaio e de policiais do DOPS gaúcho no âmbito da ‘Operação Condor’, organização clandestina integrada pela repressão das seis ditaduras do Cone Sul na década de 1970. (...) A séria de reportagens rendeu à revista, em 1979, os principais troféus de jornalismo do país, incluindo o Grande Prêmio Esso. A obra da L&PM, já em segunda edição, ganhou na categoria de livro-reportagem os dois principais prêmios literários do país – o Jabuti e o Vladimir Herzog –, além de Menção Honrosa do prêmio Casa de Las Américas, de Cuba.”

Coletiva.net

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“‘Irno’, que recebeu Cunha com uma pistola na cara no apartamento da rua Botafogo, no bairro Menino Deus, na tarde de 17 de novembro de 1978, foi reconhecido pelo jornalista e pelo fotógrafo J.B Scalco, da revista Placar, como um dos sequestradores dos uruguaios. O reconhecimento aconteceu na CPI da Assembleia Legislativa e na Justiça Federal, que condenou Irno em primeira instância. O agente fazia parte da equipe comandada pelo homem mais importante do aparato repressivo no sul — o delegado Pedro Seelig. Ele, o delegado Sérgio Fleury (do DOPS paulista) e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (comandante do DOI-CODI da rua Tutóia em São Paulo) são os três nomes mais citados pela violência política no período da ditadura militar (1964-1985). Seelig, chefe direto de ‘Irno’ e do escrivão Didi Pedalada, outro seqüestrador identificado pelos jornalistas, foi mais tarde reconhecido pelos uruguaios como o chefe das sessões de tortura em Lílian e em Universindo na antiga sede do DOPS, na avenida Ipiranga, na capital gaúcha. Pela repressão uruguaia, a sessão de pancadaria no DOPS era pessoalmente executada pelo major Glauco Yanonne, do Exército uruguaio.”

Blog de Edgar Lisboa

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“O inspetor aposentado do DOPS gaúcho João Augusto da Rosa, codinome “Irno”, um dos seqüestradores em Porto Alegre dos uruguaios Universindo Díaz, Lílian Celiberti e seus dois filhos, Camilo e Francesca, tenta nesta quarta-feira (25) um recurso na Justiça gaúcha para tentar condenar o jornalista Luiz Cláudio Cunha, autor da reportagem que denunciou a operação criminosa.”

Blog de Cláudio Humberto

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"A primeira tentativa de ‘Irno’ esbarrou na firme decisão de 6 de julho passado da juíza Cláudia Maria Hardt, da 18ª Vara Cível do Foro de Porto Alegre, que julgou improcedente a ação do seqüestrador do DOPS. (...) A séria de reportagens que Cunha assinou rendeu à revista, em 1979, os principais troféus de jornalismo do país, incluindo o Grande Prêmio Esso. Reportagens que são a alma de seu livro Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios (L&PM, 2008). A obra da L&PM, já em segunda edição, ganhou na categoria livro-reportagem os dois mais importantes prêmios literários do Brasil - o Jabuti e o Vladimir Herzog. É esse jornalista que "Irno" quer calar!"

Blog de Ricardo Noblat

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Cunha: o seqüestrador que deveria estar na cadeia tenta condenar, na Justiça, o jornalista que testemunhou seu crime e o relatou em VEJA Amigos, no país da impunidade mais vergonhosa que é o Brasil, não faltava mais nada: um seqüestrador que deveria estar na cadeia tenta condenar na Justiça o jornalista que presenciou e denunciou seu crime. A história tem mais de 30 anos – é de novembro de 1978 – mas, pelo visto, ainda não terminou. O seqüestrador insiste na ação que instaurou, em 2009, contra o jornalista e a Editora L&PM que, em 2008, publicaram o livro Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios — uma reportagem dos tempos da ditadura (livro extraordinário, que já indiquei aos amigos do blog). Quer ser indenizado em dinheiro. “Irno” considera que o jornalista cometeu injúria contra si ao narrar a história, apoiado não apenas no que ele e o falecido fotógrafo J. B. Scalco presenciaram, mas num maciço conjunto de provas divulgadas em reportagens de VEJA durante mais de um ano e que valeram aos jornalistas a à revista, entre outros, o Prêmio Esso de 1979. (O policial aposentado, por alguma razão, não está processando VEJA pela extensa cobertura de 86 semanas que proporcionou a seus leitores, entre novembro de 1978 e junho de 1980, com os detalhes escabrosos do sequestro praticado há 33 anos.). (...) “Irno” foi o homem desconhecido que apontou uma pistola para o rosto de Luiz Cláudio num apartamento situado na rua Botafogo, no bairro Menino Deus, na tarde de 17 de novembro de 1978. A ação foi presenciada pelo fotógrafo de Placar J. B. Scalco, já falecido, que acompanhara Luiz Cláudio até o apartamento onde o seqüestro estava ocorrendo. Os uruguaios também foram testemunhas. (...)A juíza Hardt acentua, em sua sentença final: “Não há que se olvidar os abusos cometidos pelas autoridades instituídas durante o período do regime militar brasileiro. São inúmeras as compilações históricas e os relatos dos que vivenciaram a etapa em que o país esteve distanciado da democracia. Inegáveis as arbitrariedades, os excessos e as violências infligidas a muitas pessoas. Também não se pode desconsiderar as restrições impostas à imprensa naqueles momentos em que muitos dos direitos irmanados com a dignidade humana e a liberdade foram deixados de lado”.

Blog Ricardo Setti

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"A primeira tentativa de ‘Irno’ de inverter judicialmente a denúncia esbarrou na firme decisão de 6 de julho passado da juíza Cláudia Maria Hardt, da 18ª Vara Cível do Foro de Porto Alegre, que julgou improcedente a ação do seqüestrador do DOPS, que ela define como “triste episódio contado no livro… relato pertencente a um tempo ‘página infeliz da nossa história’, nas palavras do próprio Chico Buarque”. Trinta anos depois, na Justiça de Porto Alegre como testemunha de defesa de Luiz Cláudio, Lílian Celiberti teve a chance – face a face, pela primeira vez após o sequestro -, de apontar João Augusto da Rosa (o ‘Irno’) como um dos seus seqüestradores. Confirmou tudo o que Luiz Cláudio disse e escreveu na revista e no livro."

Blog da jornalista Rosane de Oliveira

 

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